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  • Na Semana do Meio Ambiente, Rede Jesuíta de Educação destaca a importância do ensino para a sustentabilidade

    Os desafios colocados pelo aquecimento global e a necessidade urgente da transição para uma economia limpa colocam a sustentabilidade, mais do que nunca, como uma meta comum para a humanidade. A Companhia de Jesus, por meio da Rede Jesuíta de Educação (RJE), responsável pelo ensino de mais de 31 mil estudantes em diversas localidades do Brasil, aproveita a Semana do Meio Ambiente, cujo dia é comemorado nesta segunda-feira (05), para reafirmar a importância da aprendizagem para o futuro sustentável do planeta a partir da formação de pessoas capazes de pensar com autonomia, profundidade e agir com solidariedade.

    A premissa está presente nas salas de aula da RJE. Em Santa Rita do Sapucaí (MG), a Escola Técnica Eletrônica Francisco Moreira da Costa (ETE FMC) mantém na Feira de Projetos Tecnológicos, a PROJETE, evento que completa 37 anos em 2017, uma premiação voltada para a categoria sustentabilidade. Em 2016, foram expostos mais de 130 projetos. Muitos deles priorizavam questões ambientais, como o reaproveitamento de materiais, uso e desenvolvimento de fontes de energia limpas e renováveis.

    No ano passado tivemos grandes projetos. Com muita criatividade, nossos alunos desenvolveram um gerenciador de consumo de energia e um chuveiro autônomo para a economia de água e energia elétrica, conta o coordenador de comunicação da escola, João Taero, citando apenas os projetos premiados, entre várias outras propostas sustentáveis relevantes apresentadas pelos estudantes.

    Para o coordenador de comunicação, a PROJETE é um exemplo bem acabado do protagonismo estudantil buscado pela rede de ensino conduzida pelos jesuítas. Ele lembra que, em sua atuação no Brasil e no mundo, a educação e a ação social são as ferramentas que a Companhia de Jesus emprega para transformar pessoas e realidades, com a esperança de construir uma sociedade sustentável, mais justa e fraterna. São esses conceitos fundamentais que trabalhamos dentro e fora das salas de aula, atesta.

    No Colégio dos Jesuítas, em Juiz de Fora (MG), projetos pedagógicos unem sustentabilidade e fraternidade. O colégio criou um ponto de coleta para lixo eletrônico, um sebo para doação de livros e uma campanha do agasalho para arrecadar e doar a pessoas em situação de rua. A ideia é mostrar que cuidar do meio ambiente é também uma forma de cuidar uns dos outros.

    No sábado (03), houve uma programação especial de atividades voltadas à sustentabilidade. O colégio aproveitou a data para tornar público seu compromisso socioambiental em relação à água e energia e apresentou os integrantes do recém-instituído Grupo de Trabalho denominado "GT Sustentabilidade". Experiências pedagógicas, integradoras, de troca e oficinas práticas também marcaram o dia de atividades.

    O diretor acadêmico do colégio, Francisco Juceme R. do Nascimento, faz uma reflexão sobre o tema: "Na perspectiva da Educação para a Justiça Socioambiental, faz-se necessário um conjunto de processos pedagógicos: que favoreçam a formação de pessoas conscientes de sua condição social e histórica; que saibam identificar o Mestre em meio às situações de morte (Mt 25,31-46) e sejam capazes de se indignar; que sejam capazes de se abrir aos outros e de lutar em favor da justiça e da defesa dos direitos humanos fundamentais dos mais empobrecidos da sociedade; e que, sobretudo, busquem analisar as causas profundas da exclusão, da destruição dos bens da natureza, dispondo-se a enfrentar, de forma criativa e inovadora, as forças que subjugam a vida", enfatiza o educador.

    Entre diversas ações pedagógicas voltadas para a sustentabilidade, no Colégio Loyola, em Belo Horizonte (MG), o destaque fica por conta de um projeto de captação de águas da chuva. A ideia surgiu há cerca de dois anos, quando o Brasil passava por uma de suas mais graves crises hídricas. A iniciativa encomendada pela direção da escola foi concebida pelo engenheiro Tharyke, que aproveitou a grande extensão de telhado do centro de aprendizagem para armazenar a água das precipitações.

    O sistema desenvolvido por ele conduz as águas da chuva que caem no telhado por um conjunto de tubos conectados a 17 tanques, cada um com capacidade de armazenar 1,2 mil litros. Antes de chegar ao destino do armazenamento, um filtro faz a depuração, impedindo a passagem de detritos sólidos. Dos reservatórios, a água segue para a utilização para irrigação e limpeza através de um mecanismo de bombeamento. Para chegar às torneiras, ela passa por uma filtragem tripla: um filtro de carvão ativado, um de sedimentos e um de cloração. O processo é semelhante ao realizado nas estações de tratamento das companhias de água.

    Para o engenheiro, o projeto permite aos alunos aprender uma forma prática de utilizar os recursos naturais com máxima eficiência, evitando o desperdício. Por meio do projeto, os estudantes podem se aprofundar na questão ambiental, não apenas da economia de água, mas nas questões ambientais como um todo, levando-os a refletir sobre outros temas como a poluição e o desperdício, considera.

     

    Educadores históricos

    Os jesuítas fundaram as primeiras instituições de ensino no mundo no final do século XVI. Desde então, assumiram a missão humanizadora de formar pessoas. No entanto, a pedagogia Inaciana, baseada na espiritualidade de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, é aplicada sobre realidades em constante transformação.

    Como atenta o Projeto Educativo Comum da RJE, promulgado em março de 2016, trata-se de uma questão de articulação entre fé e justiça e de opção pelos pobres a inclusão das questões que envolvem a sustentabilidade ambiental do planeta. Para a RJE, as populações que menos contribuem para a degradação ambiental são e serão as que mais sofrem as consequências, tais como comunidades de pescadores, ribeirinhos do Amazonas, regiões tribais e tantas outras populações.

     

    Sobre a Rede Jesuíta de Educação

    No Brasil, a Rede Jesuíta de Educação é responsável por 17 centros de aprendizagem, que reúnem mais de 31 mil alunos e quase 2 mil educadores. A Companhia de Jesus mantém ainda seis faculdades e universidades, além de atuar fortemente na área de Educação Popular, por meio de várias iniciativas, como Centro Santa Fé, Projeto OCA (Oficinas Culturais Anchieta), CAC (Centro Alternativo de Cultura) e Fundação Fé e Alegria, que atua em 14 estados, atendendo a mais de 10 mil crianças, adolescentes e jovens.